Pesquisa mostra como Sistema Participativo de Garantia contribui para adoção de práticas agroecológicas

Estudo apresentado no X SEAPO analisou a experiência do Grupo Rio Seco, vinculado ao Núcleo Recôncavo da Rede de Agroecologia Povos da Mata, e destaca o papel do SPG na construção coletiva de conhecimentos

Mais do que um mecanismo de certificação da produção orgânica, o Sistema Participativo de Garantia (SPG) pode se transformar em uma importante ferramenta de aprendizagem, troca de conhecimentos e fortalecimento das práticas agroecológicas. É o que aponta o trabalho científico “O Sistema Participativo de Garantia como ferramenta para a adoção de práticas agroecológicas”, apresentado no dia 21 de agosto, durante a programação do X Seminário de Agroecologia e Produção Orgânica (X SEAPO), realizado no IF Baiano – Campus Guanambi.

O estudo analisou a experiência do Grupo Rio Seco, grupo de produção orgânica vinculado ao Núcleo Recôncavo da Rede de Agroecologia Povos da Mata. O trabalho foi realizado por Edilelma Brito e Nicole Marques, com apoio do Centro de Agroecologia Rio Seco (CEARIS), grupo de estudos da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), do NEA-Trilhas/UEFS e do IF Baiano – Campus Guanambi.

A pesquisa identificou que a participação dos agricultores na Rede de Agroecologia Povos da Mata contribuiu para a organização do grupo e ampliou as possibilidades de acesso, compartilhamento e adoção de diferentes práticas agroecológicas. Entre elas estão a cobertura do solo, a diversificação da produção, a adubação orgânica, o uso de caldas naturais e a ciclagem de nutrientes, entre outras estratégias de manejo sustentável.

De acordo com o estudo, esse processo de aprendizagem acontece de forma contínua e participativa. As experiências são compartilhadas por meio de visitas de pares e de olhar externo, seminários, capacitações, treinamentos, intercâmbios, participação em eventos e acompanhamento técnico agroecológico realizado pela Rede de Agroecologia Povos da Mata.

Nesse sentido, o SPG ultrapassa a dimensão de uma certificação formal. O processo participativo cria oportunidades para que agricultores observem diferentes experiências, compartilhem conhecimentos, discutam desafios e encontrem, de forma coletiva, alternativas para aprimorar o manejo de suas unidades produtivas.

A experiência também evidencia a importância da articulação entre agricultura familiar, organizações da sociedade civil e instituições de ensino e pesquisa. Ao aproximar o conhecimento produzido nas universidades das experiências vivenciadas pelos agricultores, essa interação contribui para a construção de soluções adaptadas às realidades dos territórios.

Para Edilelma Brito, uma das autoras do trabalho, a produção orgânica está diretamente relacionada ao cuidado com a terra e à construção coletiva do conhecimento. “Produzir de forma orgânica é cuidar da terra, garantir sustentabilidade e construir conhecimento de forma coletiva”, afirma.

Agroecologia em debate no X SEAPO

A apresentação do trabalho ocorreu durante o X Seminário de Agroecologia e Produção Orgânica, realizado nos dias 21 e 22 de agosto, no IF Baiano – Campus Guanambi. Em sua décima edição, o SEAPO reuniu agricultores, pesquisadores, estudantes, extensionistas e representantes da comunidade para discutir temas relacionados à agroecologia, à produção orgânica e aos desafios para o desenvolvimento sustentável do Sertão Produtivo.

A programação contou com palestras, apresentação de trabalhos científicos, minicursos, oficinas, exposições e a Feira Orgânica de Guanambi.

Criado em 2017, o SEAPO é uma ação do programa Orgânico Inteligente, coordenado pela professora Felizarda Bebé, e reúne atividades de ensino, pesquisa e extensão voltadas à agroecologia e à agricultura familiar. Ao longo de suas edições, o evento tem contribuído para aproximar diferentes atores envolvidos com a produção orgânica e a agroecologia, além de estimular processos de formação, pesquisa, extensão e fortalecimento da certificação orgânica no Sertão Produtivo.

A experiência do Grupo Rio Seco apresentada no seminário reforça, assim, uma perspectiva central da agroecologia: a construção de sistemas de produção mais sustentáveis passa também pela troca de saberes, pela organização coletiva e pela capacidade dos próprios agricultores de construir e compartilhar conhecimentos.

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