Estação Orgânica
Pra começar, é necessário dizer que eles não são apenas “compradores de produtos orgânicos” – para estes existem as prateleiras dos mercados abastecidas com uma infinidade de produtos que, oxalá, atualmente, já se pode encontrar.

Mais que “compradores” que só se sentem satisfeitos quando encontram tudo o que querem (desejo imediato), na hora que querem (ansiedade coletiva) e do jeito que querem (padrões estabelecidos), os consumidores co-produtores da Rede são co-realizadores, no sentido *empreendedor (abertura) de uma nova prática de comércio solidário (parceria e busca de soluções compartilhadas) entre produtores e consumidores que atuam para abrir uma nova frente em nossa região. Sim! São empreendedores de um novo modelo que leva em conta toda a história que acontece por detrás dos produtos que chegam às suas mãos, história na qual eles também estão inseridos: quem os produz (gente como eu + o produtor), onde são produzidos (natureza / meio ambiente onde eu + produtor moramos e vivemos), como são produzidos (cuidados necessários /dispensados, e dificuldades locais), para quem trazem benefícios (ganha/ganha).

A Rede só acontece e se estabelece se existem consumidores co-produtores dispostos a compartilharem o bônus e o ônus de uma cadeia produtiva que só aprende “fazendo” o que “não existia antes”. Co-produtor é co-proprietário de um processo. Não se pode ser dono, apenas, dos acertos… Mas o bom é que se pode compartilhar as soluções dos desafios! As Estações Orgânicas não são “lojas”, elas são unidades de produção solidária, movidas a gente, inspiradas pela natureza, e abastecidas por responsabilidades compartilhadas e resultados obtidos conjuntamente.

Texto: Valéria Cardoso, articuladora da Rede e participante do Mecenas da Vida!